Gilson Nascimento Melo

02/09/2013, 08:01

Por Osmário Santos

Amigo, Alcimar Monteiro e Gilson Melo

Gilson do Nascimento Melo nasceu em Aracaju na Maternidade Francino Melo, no Hospital do Cirurgia, em 04 de fevereiro de 1953, filho de João Vieira de Melo (comerciante) e de Joelinda do Nascimento Melo(prendas do lar – in Memorian)

Seu pai foi do Exército Brasileiro e no tempo da segunda guerra mundial fez parte da artilharia de costa na capital baiana, vigiando a costa brasileira de uma possível invasão alemã ao nosso território. Aos 93 anos continua com uma memória sem igual. Ele  é uma enciclopédia viva é de causar inveja no bom sentido.

Sua mãe faleceu em 19/02/2010, quando em vida cuidava das atividades da casa e sempre dedicou com amor e carinho toda a atenção aos seus 05 filhos: Gilson do Nascimento Melo, Gilma do Nascimento Melo, Gilvania do Nascimento Melo, Gicélio do Nascimento Melo e Gilvan Nascimento Melo.

Agradece aos seus pais pela formação que teve pelo senso de família que carrega até os dias de hoje, pela experiência de vida pela qual passou para os seus filhos e netos bem como a dedicação e o amor que sua mãe transmitia para a prole. “Dona Jó como era chamada na família, foi uma guerreira até os últimos suspiros. Rezava muito pela família para proteger das mazelas da vida. Hoje descansa em paz lá na Colina da Saudade, mas continua sempre presente em mim como o meu anjo da guarda”.

Desde pequeno já ajudava o seu pai no armazém (hoje Bar da Paz – nome dado pelo saudoso bochechudo Batalhinha) e ao mesmo tempo ouvia no rádio MULLARD de válvulas, notícias do Brasil e do mundo e com um caderninho copiava as letras das músicas para poder cantar a princípio. Depois com o passar do tempo aprendeu a tocar violão. “Saía com o meu pai para fazer compras no centro comercial de Aracaju e para a feira do Mercado Thales Ferraz e no trajeto seu pai mostrava os letreiros das lojas ou anúncios e mandava eu ler para aprender, além de jornais ou revistas”.

Devido a proximidade da Igreja do Divino Espírito Santo, assistia as missas e fez parte da Cruzada(clube de jovens). Também  foi até ajudante de missa.

A sua infância e adolescência foi vivida entre Aracaju, Propriá, Nossa Senhora de Lourdes(Pov. Escurial) e Gararu(Pov. Lagoa Funda).

Em Aracaju com o seu pai, frequentava os campos de futebol como o Estádio Estadual de Aracaju(Hoje Batistão), Adolfo Rollemberg e o Estádio Proletário Sabino Ribeiro.

Jogava bola na amendoeira ao lado do Hospital Santa Isabel, no campo do “vido”(apelido de um vigilante da lavanderia), atrás do SESI Alberto Simonsen, próximo da Vila Militar e em frente a Igreja do Espírito Santo. “ Também jogava furão, jogo de botão, soltava arraia, jogo de marraio (bola de gude), jogava pinhão, brincava de carrinho de rolimã) e jogava marreta(bola de meia), atirava de baleadeira (estilingue), peteca e bumerangue.

Conta que gostava de assistir filmes nos cinemas Vitória, Cine e Teatro Rio Branco, Palace, Aracaju, Vera Cruz, Cine Bonfim, Cinema Tupi na rua Bonfim com Lagarto,  o Cinema São Francisco e por fim, o Cinema Plaza, onde hoje é a sede da Igreja Universal. 

Frequentava as praias do Bairro Industrial, praia Formosa(Praia 13 de julho) e a Praia de Atalaia. “ Os Points da época eram: a Cinelândia, Boite e Restaurante Iara e o Cacique Chá. Tinha ainda  o famoso cachorro quente de Seu João. As bancas de jornais da época mais famosas eram a Ponto Chic , a banca do Imperador e a do Seu Careca”.

“ O parque de diversão era instalado na praça da Catedral nas festas de final de ano onde a gente andava de barco, roda gigante, no carrossel de Seu Tobias, pescarias, tiro ao alvo e a onda, etc”.

“Lembro-me do Parque de Exposição João Cleofas, onde aconteciam vários shows de artistas locais, além de concurso de animais. Tempo bom não volta mais. Nas férias viajava para Propriá de trem saindo da Estação da Leste ou de ônibus na da Rua da Frente(Ponte do Imperador) onde se hospedava na casa do seu tio Jaime e de lá pegava uma lancha ou canoa para Lagoa Funda ou Escurial - onde residiam avós e tios passando o período de férias escolares”.

Revela que foi  jogador dente de leite pelo Cotinguiba -“o Tubarão da Praia”- e juvenil pelo Vasco Esporte Clube, chegando até a seleção sergipana juvenil(1970). Também  participou do Interact Club Jackson de Figueiredo.

Foi  escoteiro do Sesc/Senac e participou do primeiro Jamboree Pan Americano em 1965 na cidade do Rio de Janeiro.

Formação Educacional

Os seus primeiros passos na escola foi no Ginásio Simeão Sobral e no Educandário Santa Beatriz cuja diretora era muito rígida(Dona Lourdes) no período de 1958 a 1960 onde fez o pré-primário; O primário no Ginásio Jackson de Figueiredo no período de 1961 a 1963, com a professora Lúcia; O secundário no Ginásio Jackson de Figueiredo de 1964 a 1968; Científico Ginásio Jackson de Figueiredo de 1969 a 1971.

“ O Colégio Jackson de Figueiredo era dirigido pelos professores Benedito e Judite Oliveira”. Tem saudades de grandes mestres a exemplo dos professores Edelzuita Vieira da Silva, Noêmia Diniz, Gesteira, Normélia,Ivone Mendonça, Lúcia, Joaquim, Franklin e tantos outros.

Superior – Curso de formação em Medicina – Faculdade de Ciências Médicas- UFS – 1981.

Antes de fazer o Curso de Medicina passou na Faculdade Tiradentes no Curso de Economia, Curso de Eletrotécnica na Escola Técnica abandonando-os em detrimento do curso de Medicina. Diz que trabalhou como Kardexista em Irmaõs Curvelo – 1973,  Leiturista na Energipe – 1974 e Auxiliar de Laboratório na Universidade Federal de Sergipe – 1974.

“Desde menino que já se interessava pela medicina pois os seus brinquedos eram instrutivos como microscópio, o bioquímico,(onde realizava reações químicas), colecionava insetos e realizava operações em animais como sapos, passarinhos. Antes de adentrar o curso de medicina na época era comum fazer curso de pré-vestibular(Engequime – Beta)”.

No tempo de estudante de Medicina deu plantão na Maternidade Francino Melo, na Hildete Falcão e no Pronto Socorro do Hospital do Cirurgia. Estagiou no Laboratório de Patologia da UFS em técnicas Histológicas – 1975; Obstetrícia na Maternidade Hildete Falcão Batista – 1982; Pediatria no Centro de Puericultura Martagão Gesteira – Casa Maternal Amélia Leite – 1982; Cliníca Médica no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde – UFS – 1982

Diz que o  primeiro emprego foi na firma Irmãos Curvelo (Mercedes-Benz) e que considerou como interessante. “ Eu queria trabalhar para não ficar dependente dos meus pais e Seu Magalhães que trabalhava na firma e freqüentava o bar do meu pai, falou para mim que haveria uma vaga e seu eu me interessava em fazer uma prova eu disse que topava só que depois da prova ele me avisou que eu não tinha passado, fiquei triste confesso mas continuei em frente. Depois de algum tempo o Magalhães disse para mim que eu tinha passado na prova, porém eu estava concorrendo com parentes da firma mas mesmo assim insistiu se eu queria trabalhar eu disse que sim e assim foi o meu primeiro emprego que me trouxe uma visão para a vida, mas o meu objetivo era chegar na universidade”.

Na UFS chegou a condição de funcionário da seguinte maneira: “ Primeiro fiz um concurso para Auxiliar de Laboratório para o Instituto de Biologia o qual fui aprovado. Assumir em 19 de novembro de 1974, foi quando em 1976 passei no vestibular de Medicina, passando a ser estudante-funcionário e depois fiz um concurso interno para técnico de laboratório onde passei e posteriormente após concluído o curso de Medicina fui ser Coordenador do Estágio de Saúde Pública na cidade de Neopólis-SE”.

“No início dei plantão na Gastroclínica e ficava de sobreaviso na Maternidade Carlos Firpo e no hospital de Porto da folha, além de trabalhar em postos de saúde em Santa Rosa de Lima, Campo do Brito e N.S. Do Socorro”.

Conta que fez  especialidade em Administração Hospitalar e Saúde Pública. “Coloquei consultório na Gastroclínica e no Hospital Santa Isabel. “ Continuo a trabalhar como médico na DIASE na UFS e na Fundação Estadual de Saúde.Na UFS completo no dia 18/11/2013 trinta e nove anos como funcionário. Já tenho tempo para a aposentadoria, porém, no momento não me passa pela cabeça”.

Cargos que ocupou: “ Também fui Orientador de Campo do Estágio de Saúde Pública – CAP/Projeto Rondon – Departamento de Saúde Comunitária de Enfermagem e Nutrição – UFS – 1983/84;Chefe da Divisão de Assistência ao Servidor – DIASE/UFS – 1990/92;Médico no Concurso Vestibular UFS – 1985. Também foi jurado no primeiro Festival de Música Ecológica da UFS – 1990.

Trabalhos escritos: Anemia Falciforme Crônica – Associação de Piractam e Ácido Fólico – monografia – 1981; Demografia e Previdência Social – Adesg – 1982; Motrivivência: o esporte e suas diversas concepções – 1989.

Vida Artística

Aos cinco anos de idade no governo de Leandro Maciel(1958), juntamente com o seu pai, João Vieira de Melo e sua irmã Gilma do Nascimento Melo, recebia a caravana do Show Vigorelli no Aeroporto de Santa Maria, constituída por famosos artistas da época como: Nelson Gonçalves, Angela Maria, João Dias, Xerém e Bentinho e outros.

“Aos 14 anos comecei a compor e aos 17 anos meu pai comprou um violão e comecei arranhando até aprender a tocar. As primeiras composições foram referentes aos acontecimentos que se passava no povoado Lagoa Funda como divergência no futebol e uma homenagem ao povoado Carnaval em Lagoa  Funda porque o carnaval de lá era muito bom mesmo sendo tocado ao ritmo de sanfona violão, cavaquinho, pandeiro,etc”.

“No Jackson de Figueiredo compus o hino do Grêmio Cultural Monsenhor Francisco Gonçalves de Lima que apresentado no Instituto Histórico e Geográfico pelo coral do colégio e regido pelo professor  José Maria”.

É grande a alista de sua participação em eventos direcionados a poesia e cânticos. Entre eles 1970 – O primeiro concurso de declamação promovido pelo Interact Club com a poesia “Velhas Árvores” de Olavo Bilac. Primeiro concurso de Poesia Falada do Nordeste com as poesias de sua autoria “Formosa Donzela” e “Dúvidas; 1971 – Segundo Concurso de Poesia Falada do Nordeste com as poesias “Vai Santo” e “Renascença”.

Festivais de música

1970 – Segundo Festival Sergipano de Música; Terceiro festival Estanciano da Canção(fec)  Estância-SE - 1972 – Primeiro Festival de Música Ccarnavalesca – Jornal Diário de Aracaju; 1992 – Primeiro Festival de Música Junina – Nosso Canto – Fundesc-1998 – Primeiro Festival de Música Brega de Sergipe – promovido pela FM  103,1.2000 – Sescanção, Concurso da canção do Instituto Militar de Engenharia – Rio de Janeiro; 2003 – Primeiro Festival Aracaju de Música Popular na Praia. 2005 – Concurso do hino comemorativo ao sesquicentenário da cidade de Aracaju. 2009 – primeiro festival de música da Arpub. “Componho vinhetas para emissoras de rádio e músicas para candidatos a cargo eletivos, bem como para times de futebol.

Vamos Subir Dragão

Da  criação da música “Vamos subir dragão” dedicada ao Confiança diz que mais foi uma vez dádiva de Deus que ilumina o compositor no momento da sua composição. “ Eu estava no estacionamento da UFS  esperando a minha esposa e ao mesmo tempo escutando o andamento do julgamento se o Confiança ia perder os pontos ou não para o Asa de Arapiraca, quando de repente me deu um inspiração repentina e naquele momento procurei um papel para escrever não encontrando escrevi em um guardanapo. A partir daí fiz “ Sergipe de Lutas e Glórias” em homenagem ao centenário do clube como também “Tubarão da Praia” homenageando o Cotinguiba Esporte Clube. Depois outra composição foi composta para o Aracaju  Futebol Clube. Atualmente “Vamos lá Gipão” para incentivar o Club Sportivo Sergipe rumo a série “C”. Tenho uma música em homenagem ao Esporte Clube Propriá pelo seu centenário e do Maruinense Esporte clube, que não  foram gravadas. Além de musicas para os clubes de futebol fiz também uma musica que foi bastante tocada na Copa do mundo da África - “Bola pra frente Brasil”.

Grava a seu primeiro cd player “tempero do amor” em 1996 incentivado pelo radialista sergipano Antônio Poderoso, radicado em São Paulo, sob a regência de Areia Lima. De cara surge o seu primeiro sucesso a nível nacional “O Forró da Gaguinha”, tocado principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. E 1998 com a produção musical  ainda de Antônio Poderoso, grava o seu segundo cd com o título de “Forró Apimentado”, despontando “É  preciso ter Cuidado” e a música que leva o nome do disco.

Em 2001 grava o seu terceiro cd “Medo de Amar”, mudando radicalmente para a música pop romântica com as músicas “O Otário”, “Comida Trocada”, “Você marcou a minha vida”, entre outras. “ Esse disco surgiu em virtude de ter ganho um festival de música realizada pela 103,1fm. Nesse disco a participação de Antônio Poderoso no repertório das músicas e de Jorge Coelho(Peninha) nos arranjos e direção musical. A  partir daí, Peninha tem produzido e dirigido meus trabalhos até hoje”.

“Devo relatar que por parte do meu pai tinha um tio(Hermes) que tocava cavaquinho e da minha mãe um tio(Jaime) que tocava violão, além da minha mãe gostar de cantar. Dessa ramificação alguns primos também tiveram aptidão para a música”.Aproveita o ensejo  para dizer que o seu último CD está disponível na Casa do Artista, na loja do Museu da Gente e no Bar da Paz na Avenida Semeão Sobral próximo ao Hospital Santa Isabel.

Do seu primeiro casamento nasceram Yury Ribeiro da Cruz Melo 24 anos, que faz engenharia elétrica na UFS e Ingrid Ribeiro da Cruz  Melo - 21 anos cursando nutrição ao na mesma instituição superior de ensino. Hoje está casado com Alissandra Rezende Melo que cursa enfermagem na Universidade Federal de Sergipe.

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